Trabalho remoto: tendência ou realidade?

Home office durante o período de quarentena pode mudar as relações de trabalho mesmo depois do coronavírus
Por: Leonardo Raposo, Co-Founder / COO Mazzatech
Escrito em: 24/04/2020
As medidas e restrições para tentar conter a propagação do novo coronavírus impuseram muitas mudanças no modo de vida das pessoas. Isolamento e distanciamento social, por exemplo, mudaram drasticamente as relações pessoais e de trabalho nesse período. Com a adoção do trabalho remoto, elas podem persistir mesmo após a quarentena.

O trabalho remoto, ou home office, já era uma prática de diversas empresas e profissionais. Devido ao avanço do coronavírus, entretanto, trabalhar de casa passou a ser uma exigência e não uma opção, com exceção dos setores considerados essenciais.

Para além das necessidades individuais de cada trabalhador, como disciplina e organização para manter a produtividade, o trabalho remoto tem sido visto pelas empresas como uma alternativa mais prática e até mais rentável à modalidade de trabalho presencial.

Nos Estados Unidos, por exemplo, uma pesquisa realizada no ano passado, bem antes do início da pandemia, pelo International Workplace Group (IWG), revelou que as modalidades flexíveis de trabalho, como o home office, são consideradas por 75% dos entrevistados como o “novo normal”.

No Brasil, por enquanto, segundo o Instituto Datafolha, durante a pandemia 56% dos brasileiros não puderam aderir ao home office. Após a pandemia, porém, isso pode se tornar tendência às empresas que conseguiram implementar a modalidade em seus funcionários. Principalmente as que entenderam que o investimento em tecnologia traz resultados notáveis mesmo em curto prazo e já percebem que o trabalho remoto, além de aumentar a produtividade e reduzir gastos, também é um fator de qualidade de vida para os funcionários.

Aumento de produtividade

O aumento da produtividade em home office se dá mesmo nos pequenos detalhes. Sem o tempo gasto para o transporte, por exemplo, ou para o deslocamento, uma grande quantidade de energia é poupada pelos funcionários e pode ser redirecionada para as atividades do dia com muito mais facilidade.

Redução de custos

Com as pessoas trabalhando em casa, os custos com instalações, energia elétrica, material de escritório e todas as despesas que entram na lista para manter a sede física de uma empresa são minimizados. Mesmo quando a empresa assume a responsabilidade de fornecer computadores e internet aos colaboradores, por exemplo, os números mostram que o investimento é logo recompensado.

Qualidade de vida

Parte dessa recompensa pode não ser percebida em lucro ou em capital financeiro, mas em um ativo da empresa que é tão ou mais importante que o dinheiro: a qualidade de vida dos funcionários. A flexibilização da jornada de trabalho ou da maneira como ela é cumprida no dia a dia passa a mensagem de suporte ao trabalhador.

É claro que trabalhar em casa não dispensa a necessidade de regras, disciplina com os horários e estabelecimento de metas compatíveis com as que são estabelecidas no trabalho presencial. A diferença é que com o home office, que é ao mesmo tempo tendência e realidade, o conforto de estar em casa — desde que seja um ambiente adequado para o trabalho— é bem maior.